domingo, 29 de abril de 2007

Esgoto ( 29/04/07)


Esgotam-se idéias,
Espero não se esgotem ideais

Mas esgotam-se no esgoto,

Idéias
Como se esgotam

Pensamentos

Esgoto de pensamentos

Esgoto textos
Esgotada
Jogo-me no esgoto

Textos de esgoto
Esgotam-me
Esgoto das minhas idéias

Esgotada estou

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Indiferença ( 27-04-07)


Me recolho em uma posição incomoda e confortável
Confortavelmente me encolho

E não vejo saída diferente para situações tão iguais
Que se repetem de forma diferente
Se repetem iguais

Anos, anos, anos
Avançam
Repetidamente
E me levam embora

E levam embora a vontade de fazer diferente
Repetidamente
Diferente

Levam-me
Trazem o igual

Igual não faz diferença
Indiferença
Em dias que se repetem

Repetidamente
Com a descrença
E a crença
De que nada será diferente

Mísera repetição
Petição da minha indiferença

sábado, 14 de abril de 2007

Mais de Mil ( 15/12/06)


Tenho um compartimento especial para arquivar imagens.
Posso descreve-las, através de palavras, como fotografias.
Eu fotografei aquela reunião de mendigos.
Vi pessoas, em ato de troca, de solidariedade.
Cruzei com eles, em papo animado, nem notaram minha presença, mas notei o que faziam.
Repartiam a comida, serviam uns aos outros.
Riam e brincavam como se fosse a hora do recreio, naquele banco de praça, sua casa.
Mendigos em reunião.
Retrato que levo comigo.
Ao atravessar a ponte, olho para o mar e lá está ele, varrendo a coluna da ponte.
Dia seguinte, só por curiosidade, fui conferir novamente. Ele não estava lá, mas havia uma presença imperiosa.
Uma santinha, iluminada, a proteger sua casa. A coluna da ponte.
Todo o dia, quando cruzo a ponte, desde então, espicho o olhar, para dar fé, do que estará acontecendo por lá.
Para mim, como para ele, aquilo não é uma coluna a sustentar os carros que por ali transitam.
É o seu lar.
Sigo eu para o meu lar, porém ao passar por aquele terreno, descubro que tenho mais uma imagem para fotografar.
Ali, o mato cresce e há todo o tipo de utensílios, inclusive jornais.
Dou de cara com ele, outro deles, sentado em um sofá, lendo o seu jornal.
Ele me olha, levanta e pega a mochila. Sai pra trabalhar.
Aonde?? Talvez vender balinhas ou pirulitos em algum terminal da vida.
Mas ele sai dali acompanhado, está informado.
Vou embora pra minha casa, com as informações do dia.
Tenho mais de mil palavras para fotografar as muitas imagens que vi.

Terminais (15/12/06)


Todo o dia fazia o mesmo trajeto, antes de mudar de rumo.
Mas neste momento rumo às minhas lembranças por aqueles terminais.
O do centro é repleto. Ali as pessoas cruzam em suas manobras de vida. Pacientes em terminais, em filas intermináveis, que se repetem dia a dia, hora a hora, todo o dia.
E a fila acompanha o engate das marchas, pra frente, pra trás, tentando garantir um lugar dentro daquele carrão.
Mas quem tem lugar garantido é ela.
Seu tempo é cronometrado. Passo apressado, ela chega e me enfia um pirulito na mão. Que coisa irritante esse encontro de hora marcada.
Segundos depois ela volta e me arranca o pirulito da mão.
Tão ágil quanto chegou, vai embora, se esgueirando em manobras dentro daquele carrão.
Pensei em rever meus horários, mas de que adianta isso, se vou ter que cruzar com outros tão menos delicados que ela?
Melhor manter meu horário e engolir aquele pirulito, goela abaixo.
Próximo terminal, vou me encontrar com o garoto do violão, mas ele até já aprendeu a tocar. Cantar?? Só a menina que ele conheceu ali, naquele terminal, e eu presenciei a cena.
Trindade, dois de abril...
Melhor, omitir os detalhes, até porque nesse dia também encontrei o garoto das tranças, postado, ali, no centro do banco, com tantos idosos em pé ao seu lado...
Acho que eles não queriam sentar. Era um risco, estariam sujeitos a levar uma surra, tantas eram as chicoteadas que aquele garoto dava ao jogar suas tranças. Até que chegou a sua Rapunzel. E ele parece, ficou mais tranqüilo, começou a tocar guitarra, em cordas imaginárias e deixou as tranças de lado.
Ao meu lado, chegou repentinamente, aquele turista, falando em inglês a pedir informação. Que coragem, logo pra mim. My english no good. My english is very, very bad.
Mas ele bem que entendeu a explicação que eu dei, afinal só apontei para o ônibus que ele deveria embarcar. É porque até entendo um pouquinho dessa língua estranha. O problema mesmo é falar.
Embarco em outra viagem, pra bem longe da praia daquele turista, rumo ao próximo terminal, meu destino.
E por falar em destino, bem que ouvi durante o trajeto, aqueles dois em bate papo animado e justo em francês. Credo, que sina. É pra lá que me transporto, pelo menos em sonhos.
Até que ele me acorda com uma triste história. Nossa, acho que vou chorar.
Minha sorte é que esse encontro não tem hora marcada, porque eles escolhem qualquer ônibus, qualquer terminal, e qualquer tolo que estiver disposto a engolir suas tristes histórias inventadas. Prefiro um pirulito, goela abaixo.
Fico a me indagar com que destreza eles todos circulam por aqueles terminais, por aqueles ônibus lotados.
Alguns, além de suportarem o peso de seus corpos, ainda carregam sacolas lotadas. Mas até que a causa é nobre, visa a auxiliar pessoas em suas dependências. Essas canetas, faço questão de comprar e escrever essa história. Uma vez por semana falo com ele, e compro as suas canetas.
Dessa forma sigo viagem a rabiscar rumo ao próximo terminal.
E ao descer no centro, imagino que ela também necessite de algum tipo de auxílio em sua dependência. Talvez ela dependa de mim, e de tantos outros que circulam pacientes por ali em suas manobras de vida.
Olho para ela e compro aquele pirulito. Ela me olha e sorri.
Que doce! Vou relaxar.
Ta na hora da minha volta pra casa.

domingo, 1 de abril de 2007

Com Textos ( 01/04/07)

Com textos, busco o contexto
Com textos, tenho sentido

Com textos, expresso o que não tem sentido
Com textos, expresso o que tenho sentido

Com textos, busco sentido
Sem textos, sou sem sentido

Sou com textos
No contexto