domingo, 29 de julho de 2007

Despedida 28/07/07

Silêncio gritante invade meus ouvidos
Sinto, é hora da despedida...

Nunca vou esquecer esses dias cinzentos...
É o inverno mais frio que já passei desde que cheguei aqui, há quase dez anos.
Eu que estou indo embora,
Vou com frio

Depois de quase dez anos
Tanto faz, tanto faria, tanto fez

Tamanha frieza

Aquela praça continua ali, abandonada aos mendigos, pombos, cães,
Solitários em dias cinzentos.
Tudo continua absolutamente em silêncio
Gritante silêncio

Dias cinzentos seguirão por aqui
E eu seguirei meu caminho
Com uma brecha de sol em dias cinzentos

Mas aqui, de todos os lados, por todos os lados,
Impera o silêncio

Esperanças solitárias
Silenciam
Em um silêncio ensurdecedor


Eco em meus ouvidos

Surdo silêncio que insiste em não me ouvir

Gelado vento sul,
Veste o povo daqui
Metade frio, metade frio, também
Como pode esquentar pela metade?


Nunca soube, porque quando tá frio, eles vestem bermuda e casacão
Acho que essa é uma despedida, por inteiro, àqueles que eu só soube entender pela metade,

Por isso, o silêncio grita em meus ouvidos
Por inteiro

Para que eu não olhe metades
E aprenda a ouvir o grito dessa cidade

Nem que seja em metades

Vou colocar uma calça
Tá muito frio aqui,
Parece sempre fez frio, só eu não percebi

Vai completar 10 anos

E a metade,
Continuará metade
Por inteiro
Em uma despedida que sempre vou compreender

Pela metade.


Um comentário:

BooBoo Maria Gabriela disse...

Poxa que lindo...

ultimamente tenho pensado muito em despedidas também.

Uma música que ficaria bem pra ilustrar a leitura do seu poema é a "Have you ever seen the rain" do Creedance. A tradução é ótima tmb.

Beijos!