Tem um depósito na frente da minha casa
Podia ser o mar, as montanhas...
Mas nas paredes brancas do depósito existem anos depositados
Poeira e limo incrustados
Formam desenhos, imagens...
O mar está ali e as montanhas também
Casas, ruas, pessoas, bares, lugares...
As paredes brancas e sujas são as mais claras viagens que posso fazer hoje
Ao olhar pelas minhas janelas, o depósito.
Que sacada!
Essa sujeira no branco das paredes me leva a ver figuras
Como se eu olhasse nuvens e descobrisse cavalinhos no céu
E o sol brilhando em estrelas em dias de chuva.
As paredes do depósito se iluminam com o passar dos carros
Vejo cenas em cada coluna suja
O homem jogando cartas em um jogo de vida
O casal apaixonado em um beijo estremecido
E vejo até eu mesma, um vulto com uma porção de lixo e poeira atrás de mim
E um horizonte de oportunidades à minha frente
Iluminado pelos faróis dos carros a passar
Bem em frente ao depósito da minha casa.

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