segunda-feira, 12 de março de 2007

Senhora – 21/01/07

Disputo com carros meu espaço
Ou porque as calçadas estão ocupadas por eles
Que me obrigam a transitar pelo meio fio, pelo meio da rua
Ou porque as calçadas estão intransitáveis.
Acho que a prefeitura da minha cidade está sendo muito transigente.

Tanto quanto eu e tantos outros que junto comigo, não cobram e somente se dirigem para o meio da rua, para o meio fio
Mães que guiam o carrinho de seus bebês
Idosos guiados por bengalas,
Idosos sem bengalas
Crianças...

E o mais arriscado nesse sobe e desce calçadas, além da condição não transitória, não são os carros que transitam pela rua
São aqueles que disputam comigo
O espaço das calçadas
As pessoas ao volante de seus carros

Pessoas que se movem como seus próprios carros
Máquinas humanas que engatam a marcha sem olhar para os lados, para trás.
E atropelam pedestres que tentam circular pelas calçadas, mas só encontram o meio fio, o meio da rua

Fiquei esperando , observando
Botei o pé mais a frente só pra testar
Ele não me viu
Lógico, parecia sua máquina

Voltei
Não vou me atropelar de propósito
E fiquei encarando
Até que ele me viu
E virou gente

Desculpe senhora!
E eu o fulminei
Ora! Desculpe senhora!

Não sou senhora
Nunca serei
Sou uma eterna criança
A transitar pelas ruas
Como senhora de mim

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